quarta-feira, 30 de junho de 2010

Homenagem a John Lennon

John Lennon: obra do ex-beatle será relembrada em série de lançamentos especiais
John Lennon: obra do ex-beatle será relembrada em série de lançamentos especiais


Texto retirado do site da Revista Rolling Stone Brasil

Yoko Ono e a gravadora EMI vão celebrar o que seria o aniversário de 70 anos de John Lennon com uma série de relançamentos especiais. Oito discos solo do ex-beatle (digitalmente remasterizados), uma coletânea de greatest hits, duas caixas para colecionadores e raridades chegarão às lojas em 5 de outubro, quatro dias antes do aniversário de Lennon.

Os CDs (veja abaixo a lista) terão embalagem igual às originais, assim como aconteceu com o catálogo remasterizado dos Beatles, lançado em 2009. A versão física (também haverá arquivos digitais) dos álbuns poderá ser adquirida separadamente ou no box John Lennon Signature. A caixa ainda contará com quatro discos extras, com raridades e um EP com singles não lançados em álbuns e um livro de capa dura com fotos, poesia e trabalhos de arte de Lennon. Os textos do livro foram escritos por Anthony DeCurtis, editor-contribuinte da Rolling Stone EUA. Outro box, intitulado Guimme Some Truth, terá quatro CDs, separados por temas (veja abaixo), totalizando 72 músicas.

Double Fantasy, lançado menos de um mês antes da morte de Lennon (ele foi assassinado em 8 de dezembro de 1980, pelo fã Mark Chapman), ganhou tratamento especial. Intitulada Double Fantasy Stripped Down, a nova versão foi "refinada", a fim de tirar excessos de produção. "A tecnologia avançou tanto que, inversamente, eu quis usar novas técnicas para destacar essas canções incríveis e a voz de John o máximo possível", afirmou Ono em um comunicado oficial. A viúva de Lennon trabalhou ao lado de Jack Douglas, coprodutor da obra original. Processo semelhante foi realizado por Paul McCartney em Let it Be... Naked, em 2003: Macca retirou uma série de efeitos usados pelo produtor Phil Spector, buscando um som mais limpo.

Yoko Ono também planeja eventos comemorativos em homenagem ao aniversário de Lennon. Novas informações devem ser divulgadas em breve no site oficial do músico.

A assessoria de imprensa da EMI informou à Rolling Stone Brasil que todos os produtos deverão chegar ao país na mesma época do lançamento nos Estados Unidos.

Confira abaixo a lista de discos relançados e os itens do box Guimme Some Truth:


John Lennon/Plastic Ono Band (1970)

Imagine (1971)

Some Time In New York City (1972)

Mind Games (1973)

Walls and Bridges (1974)

Rock 'n' Roll (1975)

Double Fantasy Stripped Down (2010) / Double Fantasy (1980)

Milk and Honey (1984)



Box Guimme Some Truth

Roots - As raízes rock de John e influências

Working Class Hero - As canções sócio-políticas de John

Woman - As músicas de amor de John

Borrowed Time - Músicas sobre a vida

Censo 2010 e Zé Ramalho

Ontem teve show do nosso Zé Ramalho aqui em Campina Grande, no Parque do Povo (novidade...) Inclusive, ele ficou hospedado aqui no Garden, pena que eu não consegui pegar nem um autógrafo. Ótimo show, como sempre. Curti ao lado dos companheiros Eugênio, Eurico, Claudiano e das belas Otávia e Silmara, todos da equipe do Censo 2010 na Paraíba.
Falando em Censo, o treinamento ocorre sem maiores problemas. Pra falar a verdade, sem problema nenhum, a gente está até desconfiado. Tomara que continue assim até o final. Algumas fotos da galera.




sábado, 26 de junho de 2010

Treinamento - Censo 2010


A partir de amanhã, e até o dia 07 de julho, estarei em Campina Grande, mais precisamente no Garden Hotel, fazendo parte da equipe de suporte de informática do treinamento da coleta dos dados do Censo Demográfico 2010. Centenas de funcionários contratados pelo IBGE nos municípios do sertão, cariri, agreste e brejo paraibano estarão recebendo instruções que serão necessárias para a realização do recenseamento que terá início efetivo em agosto deste ano.

1 ano sem o Rei do Pop

Ontem fez um ano que o Pop perdeu sua majestade. Os gritos, rodopios e moonwalks não saem da cabeça de milhões de fãs espalhados por todos os continentes (dos quais eu sou um). Encontrei uma série de reportagens sobre MJ publicados na revista Rolling Stone e durante os próximos posts estarei reprozindo-as aqui.
Ave Michael Jackson.


A Vida no Reino da Magia
Por Gerri Hirshey

Michael Jackson já dominava o pop quando lançou Thriller, em dezembro de 1982. Três meses depois, o álbum chegou ao topo das paradas norte-americanas e tornou-se um dos mais vendidos da história da música – 25 anos se passaram e o disco ainda carrega esse título. Republicamos a reportagem, de fevereiro de 1983, em que o astro recebeu a Rolling Stone em sua casa, na Califórnia. Sozinho, ele se mostrou por inteiro – um artista viciado em palco e com os dois pés na fantasia.



Michael Jackson em julho de 1984, em show da turnê Victory: cantor reinava no pop com o sucesso de Thriller


É meio-dia e, em algum lugar de San Fernando Valley, em Los Angeles, as persianas da frente de uma fileira de casas de condomínio estão abaixadas para se proteger do sol que brilha forte através da neblina. Do outro lado do portão de metal, o pátio está em silêncio, a não ser pelo barulho distante da água jorrando de uma fonte em sua base plástica. Então, ouve-se o choramingo arrepiante de uma típica menina da área. "Vó, não vou andar a pé um quarteirão inteiro. Está úmido. Meu cabelo vai virar Bombril." E o contraponto acalentador do incentivo maternal: "Seja boazinha, Jolie. Faça isso para a mamãe". Por todos os caminhos bem cuidados do pátio, poodles pulam ao redor de mulheres do tipo que têm poodles em coleiras cor-de-rosa.

"Não é o que você esperava, hein?"

Atrás de uma máscara de dedos finos, Michael Jackson solta risadinhas. Depois de acomodar seu visitante no piso intermediário da casa de condomínio de três andares, ele explica que essa residência é temporária, enquanto sua casa em Encino, Califórnia, está sendo reconstruída. O astro reconhece que esta é uma moradia improvável para um jovem príncipe do pop. Também é surpresa ver que Michael resolveu enfrentar esta entrevista sozinho. Ele lembra que não faz nada assim há mais de dois anos. E que, mesmo quando fazia, era sempre acompanhado por um séquito de empresários, outros irmãos Jackson. Ele se esgueira, se esconde, fala com a ponta dos sapatos. Sabe-se que conduz sua vida privada com cuidado quase obsessivo, "igualzinho a um hemofílico que não pode se dar o luxo de sofrer um arranhão". A analogia é dele.

Compare isso às estatísticas, aos sucessos, e a conta não fecha. Ele é a figura de destaque no Jackson Five desde a escola primária. Em 1980, saiu do grupo para gravar seu próprio LP, Off the Wall, que se transformaria no álbum de maior vendagem no ano. Thriller, o novo trabalho, está no número 5 das paradas. E a lista de artistas que atualmente trabalham com ele - ou que querem trabalhar - inclui Paul McCartney, Quincy Jones, Steven Spielberg, Diana Ross, Queen e Jane Fonda. No estúdio, no palco, na TV e no cinema, Michael Jackson não tem problema nenhum de se expor. Em entrevistas, a história é outra.

"Você gosta de fazer isso?", Michael me pergunta. Há um tom de incredulidade em sua voz, como se estivesse fazendo a pergunta a um legista. Ele está largado em uma cadeira de sala de jantar, olhando para o nível inferior da sala de estar, que está cheia de estátuas. Algumas são graciosas, bronzes ao estilo greco-romano. Michael não consegue exatamente ficar quieto na cadeira. Está tão nervoso que engole um saco de batatinhas. Esse é um comportamento verdadeiramente estranho. Nenhum dos irmãos se lembra de ter visto qualquer coisa assemelhada a um salgadinho passar por seus lábios desde que se tornou vegetariano severo e discípulo dos alimentos saudáveis, há seis anos. Aliás, Katherine Jackson, sua mãe, fica preocupada porque o filho caçula parece sobreviver com pouco mais do que ar. Até onde ela sabe, ele simplesmente não se interessa por comida.

"Eu realmente odeio isto", dispara. Depois de acabar com as batatinhas, começa a dobrar e redobrar um recorte de jornal. "Fico muito mais à vontade no palco. Mas, bom, vamos lá." Ele sorri. Mais tarde, explica que "vamos lá" é o que seu guarda-costas sempre diz quando estão prestes a entrar em algum tumulto público. Também é uma frase que Michael escuta desde que aprendeu a amarrar os sapatos. "Vamos lá, garotos." Com essa frase, Joe Jackson reunia os filhos Jackie, Tito, Jermaine, Marlon e Michael. É o grito de guerra que os irmãos fazem antes de entrar no palco - e que Michael ouve há mais de três quartos de sua vida - primeiro com os Jackson Five, na Motown, e agora com os Jacksons, na Epic. Michael e os Jacksons venderam mais de 100 milhões de álbuns. Ela só tinha 11 anos em 1970, quando o primeiro sucesso do grupo, "I Want You Back", desbancou "Raindrops Keep Fallin' on My Head", de B.J. Thomas, do número 1 da parada.

Michael conta que percebeu que alguma coisa especial acontecia aos 5 anos, quando cantou "Climb Ev'ry Mountain" na escola e a casa veio abaixo. Naquela época, tanta precocidade assustou sua mãe. Mas, anos depois, acalmou corações e forrou cofres quando Off the Wall vendeu mais de 5 milhões de cópias nos Estados Unidos, mais 2 milhões no resto do mundo; um dos singles de sucesso tirados do álbum, "Don't Stop 'Til You Get Enough", valeu-lhe um Grammy. O LP rendeu quatro singles entre os dez mais vendidos, recorde para um artista solo.

Se a tensa indústria fonográfica ousasse apostar, o investimento mais inteligente seria feito em Michael Jackson. Nos últimos meses, ele tem trabalhado em nada menos do que três projetos: seu próprio recém-lançado Thriller; um álbum de Paul McCartney em confecção, que trará duas colaborações da dupla Jackson-McCartney, "Say, Say, Say" e "The Man"; e a narração e uma música para o álbum do filme E.T. - O Extraterrestre para a MCA, com o diretor Steven Spielberg e o produtor Quincy Jones. No tempo livre, escreveu e produziu o single "Muscles" para Diana Ross. Realmente, esse é um rapaz apressado que já olha além do álbum dos Jacksons que está agendado para o fim do ano. Existe a oportunidade de uma turnê no primeiro semestre do ano que vem. E, depois, há os filmes. Desde que fez o papel do espantalho em The Wiz (uma adaptação de O Mágico de Oz que estreou em 1978), seu quarto anda abarrotado de roteiros.

Aos 24 anos, Michael Jackson tem um pé bem firme em cada lado dos 80. Seus sucessos de infância já se tornaram clássicos e seus ídolos da juventude se transformaram em parceiros. Michael tinha só 10 anos quando se mudou para a casa de Diana Ross em Hollywood. Agora ele a produz. Tinha 5 quando os Beatles fizeram sua transição; agora ele e McCartney brigam pela mesma garota em "The Girl Is Mine", single de Michael. Os amigos que ele tem no showbiz também atravessam gerações. Ele anda com outras crianças-prodígio, como Tatum O'Neal e Kristy McNichol, e com a ex-criança-prodígio Stevie Wonder. Faz fofoca a longa distância com Adam Ant e Liza Minnelli e bate papos íntimos com Fred Astaire. Jane Fonda o está ensinado a atuar. A amiga por correspondência Katharine Hepburn rompeu o hábito da vida toda de evitar o rock ao comparecer a um show dos Jacksons, em 1981, no Madison Square Garden, em Nova York.

Até mesmo E.T. seria cativado por um espírito tão gentil, de acordo com Steven Spielberg, que diz ter dito a Michael: "Se o E.T. não tivesse procurado Elliott, ele teria ido à sua casa". Spielberg também diz que não pensou em mais ninguém para narrar a saga de seu alienígena receoso. "Michael é um dos últimos inocentes vivos que têm controle completo sobre sua vida. Ele é uma estrela infantil cheia de emoção."

"Na primeira vez que assisti a E.T., me desmanchei", confidencia Jackson. "Na segunda vez, chorei como um louco. E daí, ao fazer a narração, senti como se estivesse lá com eles, atrás de uma árvore ou algo assim, observando tudo." O envolvimento emocional de Michael foi tão grande que Steven Spielberg encontrou seu narrador chorando no estúdio escuro quando chegou à parte em que o E.T. está morrendo. No final, Spielberg e o produtor Quincy Jones resolveram seguir em frente e deixar a voz de Michael falhar. Lutar contra aqueles sentimentos seria contraproducente - algo que Jones aprendera ao produzir Off the Wall.

Para sua própria proteção, Michael rodeou a si mesmo com uma série de comportas de contenção emocional, criando situações em que tudo bem deixar a enxurrada rolar. "Algumas circunstâncias exigem que fique verdadeiramente quieto", admite. "Mas danço todo domingo." Nesse dia, ele também jejua. Esse, a mãe confirma, é um ritual semanal que deixa o filho acabado, suando, rindo e chorando. Também é um ritual muito parecido com as apresentações de Michael. De fato, o peso da apresentação de palco dos Jacksons se apóia pesadamente sobre seus ombros cobertos de lantejoulas. Não há nada de experimental nos movimentos solo dele. Ajudado pelo impacto causado por roupas justinhas prateadas, parece que ele muda sua estrutura molecular como bem entende, passando de ângulos robotizados a curvas graciosas em um piscar de olhos. Ele ofega, arqueia e solta gritinhos. Sabe-se que tem mania de pular do palco e começar a escalar a estrutura do cenário.

Em casa, em seu quarto, ele dança até cair. Michael diz que as sessões de dança do domingo também são uma maneira eficiente de acalmar seu vício pelo palco quando não está em turnê. Às vezes, nesses períodos de descanso, algum outro artista o chama do meio do público. E, no longo trajeto da cadeira até o palco, os dois Michaels se confundem. "Fico lá sentado, pedindo: 'Por favor, não me chame, sou tímido demais'", explica. "Mas, quando chego lá, assumo o controle. Estar no palco é mágico. Não há nada igual. A gente sente a energia de todo mundo. Quando chega na hora de ir embora, não quero sair. Poderia ficar no palco para sempre. É a mesma sensação de quando faço um filme - você pode se transformar em outra pessoa. Adoro esquecer. E, muitas vezes, você esquece completamente. É igual a um piloto automático. Quer dizer... ufa!"

Durante as filmagens de The Wiz, ele se apegou tanto a seu personagem de Espantalho que a equipe responsável tinha que arrancá-lo do cenário e de dentro da fantasia. Ele estava em OZ, e nem um pouco a fim de voltar para mais um quarto de hotel. "Foi por isso que adorei fazer E.T. Eu estava lá de verdade. No dia seguinte, fiquei com muita saudade dele. Queria voltar para aquela floresta. Queria estar lá."

Infelizmente, ele continua na mesa da sala de jantar de sua casa. Mas, apesar da tensão visível, consegue se segurar firme. E fica todo animado com uma pergunta sobre seus animais de estimação. "Tenho dois cervos. Mr. Tibbs parece um carneiro; tem chifres. Tenho um lhama lindo, o Louie." Também gosta de araras e cracatuas, e tem uma ema gigante. "Fique aqui mesmo", ele pede, "vou lhe mostrar uma coisa". Michael sobe a escada até o quarto de dois em dois degraus. Apesar de saber que só estamos nós dois na casa, escuto quando ele fala com alguém. "Ah, você estava dormindo? Desculpe..." Segundos depois, uma jibóia de 2,5 metros é depositada em cima da mesa de jantar. O bicho se aproxima de mim em velocidade assustadora. "Esta aqui é Muscles. E foi treinada para comer entrevistadores." Muscles, que chegou até o gravador e mostrou a língua em sinal de desdém, continua se aproximando da fonte mais próxima de sangue quente. Michael, preocupado, recolhe o réptil quando seu focinho arredondado encosta no meu pulso. Se é que a presença de um desconhecido causa algum efeito, provavelmente é deixar Muscles um pouco nervosa. Enrolada no torso do dono, sua força faz com que o antebraço de Michael se transforme em um baixo-relevo vívido de vasos sanguíneos. Para demonstrar a noção de equilíbrio da cobra, Michael a coloca em cima de um corrimão de 7 centímetros e meio de largura, onde o animal permanecerá, imóvel, durante a próxima hora, mais ou menos. "As cobras são muito mal compreendidas", solta. As cobras, sugiro, podem ser as mais antigas vítimas da divulgação de calúnias. Michael dá um tapa na mesa e solta uma risada. "Calúnias. Não é mesmo, Muscles?"

A cobra ergue a cabeça por um instante e volta a se acomodar no corrimão. Ficamos um pouco mais relaxados. "Sabe outra coisa que adoro?", Michael pergunta. "Adoro manequins." Sim, ele está falando do tipo que a gente vê usando biquíni na vitrine das lojas de Beverly Hills. Quando a casa nova dele estiver pronta, diz que terá um quarto sem mobília, só com uma mesa e um monte de manequins de loja. "Acho que quero trazê-los à vida. Gosto de imaginar que estou conversando com eles. Parece que estou acompanhado por amigos que nunca tive. Por ser artista, não dá para saber quem é seu amigo. E as pessoas olham para você de um jeito muito diferente, como uma estrela, não como o vizinho da casa ao lado."

Faz uma pausa e fica olhando para as estátuas da sala de estar. "É isso. Eu me rodeio de pessoas que desejo que sejam meus amigos. E posso fazer isso com manequins. Vou conversar com eles." Tudo isso não quer dizer que Michael não tenha amigos. Ao contrário, tem gente que alega ser amiga dele. E esse é exatamente o problema: com um número cada vez maior de pessoas batendo à sua porta, é necessário separar e categorizar. Michael nunca teve um colega de escola. Nem um vizinho para brincar na rua. Nem namorada firme. "Conheço gente no show business." A pessoa de mais destaque é Diana Ross, com quem ele compartilha seus problemas e "segredos mais profundos e mais obscuros". Mas, mesmo quando estão só os dois, seu mundo é circunscrito. "Eu e Liza [Minelli], por exemplo. Bom, eu a consideraria uma ótima amiga, mas amiga do show business. Ficamos lá conversando sobre um filme, e ela me fala de Judy Garland. E daí diz: 'Mostre para mim aquela coisa que você fez no ensaio'." Ele improvisa um passo e dança. "E eu digo: 'Mostre o seu'. Nós adoramos nos assistir."

Isso Michael não acha estranho nem inaceitável. A celebridade corre para se esconder quando transforma todos os seus gestos em uma performance. Alguns astros simplesmente enfiam na cabeça que têm de agüentar as coisas, independentemente de tudo o mais. Diana Ross entrou toda cheia de coragem em uma loja de sapatos de Manhattan com as três filhas e então comprou tênis para elas, apesar da multidão de 200 pessoas que se juntou na calçada. Michael consideraria isso intolerável. Ele só vai a um restaurante de Los Angeles, um lugar que oferece comida saudável, onde os donos o conhecem. Já para fazer compras, evita as lojas: manda um secretário ou assistente escolher roupas para ele. "A gente não tem paz em uma loja. Se não sabem seu nome, conhecem sua voz. Não dá para se esconder." E continua: "Ser atacado por uma multidão dói. Você se sente como espaguete entre mil mãos. As pessoas fazem você tropeçar, puxam seu cabelo. E você fica achando que, a qualquer momento, vai fraquejar".

Assim, ele precisa viajar com o sigilo velado da filha preciosa de um paxá. Qualquer tentativa de turismo é feita atrás de óculos escuros, limusines com vidros foscos e o terno austero de sarja de um guarda-costas. Até quando está em um quarto de hotel, ouve as mulheres berrando e correndo de um lado para o outro, como ratos dentro das paredes. "Mulheres na recepção, subindo as escadas. A gente ouve os seguranças tirando-as dos elevadores. Mas você fica no seu quarto e compõe uma música. E, quando se cansa disso, fala sozinho. Daí, coloca tudo para fora no palco. É assim que funciona." Não há discussão: isso não é normal. Mas e os manequins? Não seria assustador acordar no meio da noite e ver todos aqueles sorrisos sintéticos? "Ah, vou dar nomes a eles. Como as estátuas que você está vendo lá em baixo." Ele aponta para o pessoal da sala de estar. "Elas têm nome. É como se eu as conhecesse. Vou lá embaixo e converso com elas."

Um ritmo irrequieto sacode o pé dele, e o recorte de jornal há muito foi destruído. Michael pede desculpa, explica que não consegue ficar parado. Em um impulso, resolve me levar até a casa em construção. Apesar de os pais o terem forçado a aprender a dirigir há dois anos, Michael raramente pega o carro. Quando o faz, recusa-se a trafegar por vias expressas, faz desvios de uma hora para evitá-las. Aprendeu o caminho apenas para algumas zonas "seguras" - a casa dos irmãos, o restaurante de comida saudável e a igreja. Primeiro, Muscles precisa ser guardada. "Ela é um amor", Michael diz enquanto desenrosca a cobra do corrimão. "Gostaria de enrolá-la em você antes que vá embora." Ele não está fazendo piada, e Michael não vai forçar a questão. Mas medo de entrevistas pode ter raízes tão profundas quanto medo de cobras e, quando ele consentiu em falar, disse a Michael a mesma coisa que ele está me dizendo agora: "Pode confiar em mim. Não vai lhe fazer mal".

Entramos em um acordo. Muscles vai se esgueirando em volta da minha canela. A língua dela é seca e faz cócegas. Se bloquear seu medo primal, pode ficar imaginando que é o bigode de um gatinho. "Você realmente acredita que esse animal agora não vai lhe fazer mal, certo?", comenta Michael. "Mas existe um medo, imbuído pelo mundo, que faz você recuar." Depois de demonstrar seu ponto de vista com educação, Michael e Muscles desaparecem escada acima.

"Oi, Michael." alguns recados assim, bem com jeito de menininha, estão rabiscados em uma placa no portão de aço da entrada de sua casa. Há uma cerca, cachorros e seguranças, mas as meninas continuam fazendo tocaia na frente, em carros e no meio de arbustos. Enquanto Michael conduz o passeio pela mansão estilo Tudor de dois pisos, fica claro que o quarto em que ele vai dormir é praticamente uma cela de monge na comparação com os aposentos que mandou construir para seus prazeres e os que reservou para as irmãs Janet e LaToya - elas calcularam cada detalhe de suas suítes cobertas de papel de parede. "As meninas gostam de exagero", explica, pulando por cima de uma serra elétrica. "Não me importo. Queria um lugar para dançar e para colocar meus livros."

Os aposentos que Michael inspeciona com mais cuidado são os reservados à recreação. "Vou colocar todas essas coisas aqui", adianta, "para nunca precisar sair e ir para o mundo lá fora." Entre as "coisas" estão uma sala de cinema com dois projetores profissionais e um alto-falante gigante. E depois tem uma sala de exercícios, outra para videogames e uma terceira com um sistema de vídeo com tela gigante. Além disso, há uma câmera enorme saindo do pátio dos fundos, que foi designada como "A Sala dos Piratas". Não será exatamente decorada, mas sim povoada. Mais manequins. Mas esse grupo vai responder. Michael está usando a consultoria de um técnico da Disney, exatamente o profissional que criou as figuras de audio-animatronics para Piratas do Caribe, o brinquedo da Disneylândia. Se tudo der certo, ele vai instalar diversos bucaneiros, prostitutas e lobos do mar que olham feio e sacodem seus fuzis. "Não vai ter nenhum brinquedo", Michael esclarece. "Mas vai haver tiroteio entre piratas, canhões e pistolas. Eles vão ficar gritando uns com os outros e vou mandar instalar luzes, sons."

Piratas é um de seus brinquedos preferidos no Magic Kingdom. E a Disney é um dos poucos lugares públicos de que nem Michael Jackson consegue ficar longe. Às vezes ele pára em uma lojinha de mágicas e compra uma daquelas máscaras de Groucho Marx - óculos falsos com um nariz acoplado. Mas é melhor quando os funcionários o conduzem através de portas dos fundos e túneis. Atravessar o pátio do Castelo da Bela Adormecida durante o dia é loucura. "Tentei ir lá ontem à noite, mas estava fechado", ele recorda, com certa descrença.

Quando voltamos para o condomínio, Michael descobre que uma prova de "The Girl Is Mine" foi entregue. Isto é trabalho, ele precisa conferi-la antes do lançamento e vai para o escritório. Antes de a faixa terminar, já está apertando as teclas de um telefone. Entre as ligações para contadores e empresários, diz que toma todas as decisões, até a colocação da última lantejoula em suas roupas de palco. Diz que sabe ser um entrevistador implacável quando se trata de escolher empresários, músicos e promotores de shows. Ele avalia a performance desses profissionais com o rigor de um repórter investigativo, interrogando os irmãos, colegas artistas e até mesmo repórteres, em busca de comentários. Apesar de realmente acreditar que seu talento vem de Deus, tem noção bem precisa sobre seu valor no mercado aberto. Ele nunca é abusado nem autoritário, mas aprecia ser respeitado. Não lhe pergunte, por exemplo, há quanto tempo ele está com uma empresa específica do show business. "Pergunte-me", ele corrige, "há quanto tempo a empresa está comigo."

Michael é o perfeito híbrido do pop para a década de 1980. Thriller é eclético o bastante para incluir cânticos africanos e um pouco de guitarra bem masculina, pelas mãos de Eddie Van Halen. Agora está sendo chamado de pop-soul pelos responsáveis da categorização de marketing. Michael diz que não se importa com o rótulo que queiram dar ao trabalho. A maneira como tudo convergiu para aquele resultado continua sendo um mistério para ele - assim como seu próprio processo criativo. "Acordo de um sonho e digo: 'Uau, vou colocar isto aqui no papel'", explica. "A coisa toda é estranha. Você escuta as palavras, tudo está ali mesmo, na sua cara. E você diz para si mesmo: 'Sinto muito, não acabei de escrever isto. Já estava aí'. É por isso que detesto levar o crédito pelas músicas que compus. Sinto que foram feitas em algum lugar e que sou apenas o mensageiro que as traz para o mundo. Realmente acredito nisso. Amo o que faço. Sou feliz com o que faço. É uma fuga."

E Michael tem razão. Não existe definição melhor para um bom pop norte-americano bem intencionado. E poucos compreendem isso melhor do que Diana Ross. A proximidade entre ela e Michael começou quando Diana foi apresentada aos Jackson. "Não, eu não os descobri", ela se explica, contradizendo o mito. O chefe da Motown, Berry Gordy, já os tinha encontrado; ela simplesmente os apresentou em seu especial de televisão de 1971. "Não havia identificação entre Michael e eu", recorda. "Eu era mais velha e ele me idolatrava e queria ser como eu."

Aos 7 anos, Michael já era um monstro da dança, fazia a coreografia do grupo todo. As apresentações locais iam abrindo caminho para a abertura de shows em salas maiores de cidades distantes. Joe Jackson passava os fins de semana e as noites como chofer, road manager, empresário e técnico. Ele ensinou a Michael como ocupar o palco e segurar um microfone. As regras eram rígidas. As notas tinham que ser sempre altas, apesar de eles fazerem até cinco shows por noite: quem desrespeitasse, ia para a rua. Quando a Motown ligou, Joe levou os garotos para Detroit e Katherine ficou com o resto das crianças. Ela diz que nunca tinha se preocupado com os filhos até ir a um show e ouvir os gritos da platéia. "Às vezes, as meninas subiam no palco e iam para cima de Michael. Ele era tão pequeno e elas eram tão grandes..."

Mas crianças e animais podem, sim, enfiar o nariz nas reservas mais fechadas de Michael. É a assombração do ambiente do showbiz que transformou a passagem dele para a vida adulta em algo tão público e tão difícil. Ele agüentou, com paciência e bom humor, os boatos de sempre - de operações de mudança de sexo e acusações de paternidade de mulheres que nunca viu. Mas tudo isso claramente o afetou. "Billie Jean", de Thriller, é uma negação veemente de paternidade ("the kid is not my son" - a criança não é meu filho). Na realidade, nunca existiu uma pessoa especial. Michael diz que não está com pressa de entrar em nenhuma ligação romântica. "É a mesma coisa que eu disse a respeito de arrumar amigos", ele compara. "Com isso, é ainda mais difícil. Há tantas garotas ao meu redor, como é que vou saber?"

"Vim ver um amigo", avisa Michael, que tenta se esquivar educadamente de uma moça equipada com parafernália de vídeo de última geração. Ela bloqueia o corredor que conduz ao labirinto de camarins embaixo do L.A. Forum. "Posso dizer para meus telespectadores que Michael Jackson é fã do Queen?" "Sou fã de Freddie Mercury", ele dispara, passando por ela e entrando em uma sala comprida cheia com integrantes do Queen, esposas, roadies e amigos. Um homem corpulento com aparência de zagueiro de futebol americano está ajudando o vocalista Freddie Mercury a fazer exercícios de alongamento que levarão seus músculos desgastados pela estrada a agüentar o último show da turnê mais recente pelos Estados Unidos. A banda está animada. Michael está acanhado, fica parado quietinho à porta até que Freddie o avista, levanta de um salto e o prende em um abraço. Freddie convidou Michael. Passou a semana toda ligando, principalmente para falar sobre a possibilidade de trabalharem juntos. E eles resolveram experimentar essa parceria no próximo álbum dos Jacksons. Apesar de não terem muita coisa em comum - Freddie comemorou um aniversário recente pendurando-se pelado em um lustre -, os dois ficaram amigos desde que Michael ouviu o material que o Queen tinha gravado para The Game e insistiu para que o single fosse "Another One Bites the Dust".

"Agora ele me escuta, certo, Freddie?"

"Certo, irmãozinho."

O zagueiro acena. Freddie faz um movimento com o cigarro na direção das travessas de frutas, aves e doces. "Você e os seus amigos podem ficar à vontade." Nosso acompanhante, um guarda-costas de rosto gentil e punhos enormes, consulta a segurança para saber sobre a localização dos assentos. No momento, o papo todo gira em volta do show business. De fofoca, para ser mais específico. Michael está questionando um dançarino que conhece a respeito da crise recente de um superastro. Ele quer saber qual é o problema. A resposta do dançarino vem em forma de mímica, com o dedo colocado na lateral do nariz. Michael reconhece que vai atrás desse tipo de fofoca. "Sempre quero saber o que faz bons artistas desmoronarem", ele diz. "Sempre tento descobrir. Porque simplesmente não consigo acreditar que é a mesma coisa que os pega uma vez depois da outra." Até agora, seus próprios vícios - o palco, a dança, os desenhos animados - estão livres de toxinas.

Algo está agindo sobre Michael Jackson agora, mas não é nenhuma substância química. Ele se agita como uma abelha presa dentro de um pote de geléia. É a sala em que estamos, ele explica. Tantas vezes já exercitou e aqueceu as cordas vocais aqui mesmo, enlouqueceu neste lugar, tremendo como algum cavalo de corrida pronto para disparar pela pista ao entrar em sua roupa coberta de lantejoulas. "Não agüento isto aqui", ele praticamente grita. "Não consigo ficar parado." Logo, precisa ser segurado, para seu próprio bem. Randy Jackson dispara para dentro da sala, segura o irmão com um abraço de urso e o ajuda a dissipar um pouco da energia com uma espécie de luta. Esta não é a mesma criatura que tentou se esconder atrás de uma batatinha. Agora Michael está lutando boxe com o guarda-costas, perguntando a cada minuto que horas são, até que o homem, misericordioso, bate a mão grande no ombro de seu protegido e solta um "Vamos lá".

Freddie Mercury e companhia já começaram a se deslocar pelo corredor estreito. Antes que alguém possa segurá-lo, Michael sai atrás deles, esbaldando-se no rugido grave do público lá fora, dando pulinhos para dar uma olhada em Freddie, que ergue o punho e se prepara para subir a escada que leva ao palco. "Aaaah, Freddie está com tudo", orgulha-se Michael. "Tenho inveja dele neste momento. Você nem sabe o quanto." O restante da banda sobe a escada e a cortina preta do palco se fecha. Michael dá meia-volta e se deixa ser conduzido para a escuridão da arena.

Entrevista cedida para a revista Rolling Stone, em fevereiro de 1983

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Boas novas para João Pessoa





Em breve, em João Pessoa, uma ótima surpresa. Quem viver, verá.

terça-feira, 22 de junho de 2010

All through the night

Quem apaga as velinhas hoje é Cynthia Ann Stephanie Lauper Thornton. Ah, tá bom, Cindy Lauper para os mais íntimos. All through the night pra galera relembrar.

sábado, 12 de junho de 2010

Apesar de você

Sei que os anos 70 já se foram e a ditadura já acabou, mas o meu atual momento profissional pode muito bem ser representado através de Apesar de você, de Chico Buarque de Holanda. Isto vai atingir o ego de alguns, mas eu lembro que sou funcionário público federal concursado e só dependo de mim para me manter no emprego. Desculpem a sinceridade...

Recordações

Não sei o porquê, mas hoje tive lembranças de velhos e bons tempos de minha infância em Campinas/SP, cidade que idolatro e na qual ainda desejo voltar a morar nesta minha breve existência. Não posso pensar em Campinas sem lembrar do maestro Carlos Gomes, autor da obra-prima O Guarani, que vamos apreciar agora sob a batuta de Goethe. Minhas saudações a todos os cidadãos campineiros.

Dia dos namorados


12 de junho, dia dos namorados.
Para mim, a música é a melhor forma de dizer a alguém o quanto se ama. E, apesar de casado há quase 4 anos, não vou deixar de dizer que minha esposa nunca deixou de ser minha namorada. Recorro a John Lennon para expressar o meu sentimento pela minha amada, a senhorita Ana Cláudia Luiz Gonzaga. Te amo, minha loira.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

A rainha do pop


Madonna é a cantora mais bem-sucedida do mundo, com mais de 120 milhões de discos vendidos. Entre suas principais músicas está Ray of Light, do álbum homônimo lançado em 1998.

Este álbum reflete uma fase mais espiritualizada da "Rainha do Pop". Os escândalos e letras recheadas de atitude cedem espaço para uma Madonna mais centrada, mãe de família e preocupada em atingir as pessoas de forma serena. A partir de então, Madonna rende-se à música eletrônica, que já havia aparecido com menos ênfase em trabalhos anteriores da artista.
Muito elogiado pela crítica, principalmente pela qualidade da voz de Madonna, Ray of Light foi recebido com surpresa por romper com o seu estilo polêmico e provocador. As músicas são compostas sob influência da nova crença da cantora que se converteu a uma religião oriental e passou a praticar diariamente Mahatma Yoga.

sábado, 5 de junho de 2010

Habeas Pinho



Conta-se em mesas de bares nas noites boemias da pequenina Paraiba, que o fato está consignado no meio forense paraibano. Foi durante a realização de uma serenata, possivelmente em Campina Grande, os românticos amantes da vida noturna tiveram o violão apreendidos pelos zeladores da ordem pública. Para defender o réu, ou seja o violão, foi nomeado patrono o famoso boemio, poeta e advogado nas horas vagas o Dr. Ronaldo Cunha Lima, que enviou a seguinte petição ao Juiz da Comarca, solicitando a liberação do instrumento apreendido:


HABEAS PINHO

Senhor Juiz.
Roberto Pessoa de Sousa

O instrumento do "crime"que se arrola
Nesse processo de contravenção
Não é faca, revolver ou pistola,
Simplesmente, Doutor, é um violão.

Um violão, doutor, que em verdade
Não feriu nem matou um cidadão
Feriu, sim, mas a sensibilidade
De quem o ouviu vibrar na solidão.

O violão é sempre uma ternura,
Instrumento de amor e de saudade
O crime a ele nunca se mistura
Entre ambos inexiste afinidade.

O violão é próprio dos cantores
Dos menestréis de alma enternecida
Que cantam mágoas que povoam a vida
E sufocam as suas próprias dores.

O violão é música e é canção
É sentimento, é vida, é alegria
É pureza e é néctar que extasia
É adorno espiritual do coração.

Seu viver, como o nosso, é transitório.
Mas seu destino, não, se perpetua.
Ele nasceu para cantar na rua
E não para ser arquivo de Cartório.

Ele, Doutor, que suave lenitivo
Para a alma da noite em solidão,
Não se adapta, jamais, em um arquivo
Sem gemer sua prima e seu bordão

Mande entregá-lo, pelo amor da noite
Que se sente vazia em suas horas,
Para que volte a sentir o terno açoite
De suas cordas finas e sonoras.

Liberte o violão, Doutor Juiz,
Em nome da Justiça e do Direito.
É crime, porventura, o infeliz
Cantar as mágoas que lhe enchem o peito?

Será crime, afinal, será pecado,
Será delito de tão vis horrores,
Perambular na rua um desgraçado
Derramando nas praças suas dores?

Mande, pois, libertá-lo da agonia
(a consciência assim nos insinua)
Não sufoque o cantar que vem da rua,
Que vem da noite para saudar o dia.

É o apelo que aqui lhe dirigimos,
Na certeza do seu acolhimento
Juntada desta aos autos nós pedimos
E pedimos, enfim, deferimento.

O juiz Roberto Pessoa de Sousa, por sua vez, despachou utilizando a mesma linguagem do poeta Ronaldo Cunha LIma:

O VERSO POPULAR

Recebo a petição escrita em verso
E, despachando-a sem autuação,
Verbero o ato vil, rude e perverso,
Que prende, no Cartório, um violão.

Emudecer a prima e o bordão,
Nos confins de um arquivo, em sombra imerso,
É desumana e vil destruição
De tudo que há de belo no universo.

Que seja Sol, ainda que a desoras,
E volte á rua, em vida transviada,
Num esbanjar de lágrimas sonoras.

Se grato for, acaso ao que lhe fiz,
Noite de luz, plena madrugada,
Venha tocar à porta do Juiz.

Retirado de www.marcoslacerdapb.hpg.ig.com.br

Texto de Ariano Suassuna

O texto abaixo foi retirado do site Cultura Nordestina e é de autoria de Ariano Suassuna. Dispensa comentários.

‘Tem rapariga aí? Se tem, levante a mão!’.
A maioria, as moças, levanta a mão.

Diante de uma platéia de milhares de pessoas, quase todas muito jovens, pelo menos um terço de adolescentes, o vocalista da banda que se diz de forró utiliza uma de suas palavras prediletas (dele só não, de todas as bandas do gênero).

As outras são ‘gaia’, ‘cabaré’, e bebida em geral, com ênfase na cachaça. Esta cena aconteceu no ano passado, numa das cidades de destaque do agreste (mas se repete em qualquer uma onde estas bandas se apresentam).

Nos anos 70, e provavelmente ainda nos anos 80, o vocalista teria dificuldades em deixar a cidade. Pra uma matéria que escrevi no São João passado baixei algumas músicas bem representativas destas bandas.

Não vou nem citar letras, porque este jornal é visto por leitores virtuais de família. Mas me arrisco a dizer alguns títulos, vamos lá:

Calcinha no chão (Caviar com Rapadura),
Zé Priquito (Duquinha),
Fiel à putaria (Felipão Forró Moral),
Chefe do puteiro (Aviões do forró),
Mulher roleira (Saia Rodada),
Mulher roleira a resposta (Forró Real),
Chico Rola (Bonde do Forró),
Banho de língua (Solteirões do Forró),
Vou dá-lhe de cano de ferro (Forró Chacal),
Dinheiro na mão, calcinha no chão (Saia Rodada),
Sou viciado em putaria (Ferro na Boneca),
Abre as pernas e dê uma sentadinha (Gaviões do forró),
Tapa na cara, puxão no cabelo (Swing do forró).


Esta é uma pequeníssima lista do repertório das bandas. Porém o culpado desta ‘desculhambação’ não é culpa exatamente das bandas, ou dos empresários que as financiam, já que na grande parte delas, cantores, músicos e bailarinos são meros empregados do cara que investe no grupo.

O buraco é mais embaixo. E aí faço um paralelo com o turbo folk, um subgênero musical que surgiu na antiga Iugoslávia, quando o país estava esfacelando-se. Dilacerado por guerras étnicas, em pleno governo do tresloucado Slobodan Milosevic surgiu o turbo folk, mistura de pop, com música regional sérvia e oriental.

As estrelas da turbo folk vestiam-se como se vestem as vocalistas das bandas de ‘forró’, parafraseando Luiz Gonzaga, as blusas terminavam muito cedo, as saias e shortes começavam muito tarde.

Numa entrevista ao jornal inglês The Guardian, o diretor do Centro de Estudos alternativos de Belgrado, Milan Nikolic, afirmou, em 2003, que o regime Milosevic incentivou uma música que destruiu o bom-gosto e relevou o primitivismo estético. Pior, o glamour, a facilidade estética, pegou em cheio uma juventude que perdeu a crença nos políticos, nos valores morais de uma sociedade dominada pela máfia, que, por sua vez, dominava o governo.

Aqui o que se autodenomina ‘forró estilizado’ continua de vento em popa. Tomou o lugar do forró autêntico nos principais arraiais juninos do Nordeste. Sem falso moralismo, nem elitismo, um fenômeno lamentável, e merecedor de maior atenção. Quando um vocalista de uma banda de música popular, em plena praça pública, de uma grande cidade, com presença de autoridades competentes (e suas respectivas patroas) pergunta se tem ‘rapariga na platéia’, alguma coisa está fora de ordem.

Quando canta uma canção (canção?!!!) que tem como tema uma transa de uma moça com dois rapazes (ao mesmo tempo), e o refrão é: ‘É vou dá-lhe de cano de ferro/e toma cano de ferro!’, alguma coisa está muito doente. Sem esquecer que uma juventude cuja cabeça é feita por tal tipo de música é a que vai tomar as rédeas do poder daqui a alguns poucos anos.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Dica de leitura

Que Roberto Carlos é o cantor brasileiro mais popular das últimas décadas todo mundo já sabe. Gostem ou não de sua música, não há uma alma sequer que não conheça as canções deste que é considerado o Rei da música romântica. Mas poucos sabem o percurso percorrido por este artista, desde a infância em Cachoeiro do Itapemirim, cantando na rádio local, passando pela Jovem Guarda e se rendendo de vez ao romantismo.

O livro Roberto Carlos em Detalhes aborda tudo isto e mais um pouco. O autor Paulo César de Araújo realmente nos mostra toda a intimidade do cantor, seus momentos de alegria, suas vitórias e também seus sofrimentos (o que rendeu ao autor alguns processos e a proibição do livro). Mais do que isto, é uma verdadeira enciclopédia da música brasileira, onde são relatados inúmeros fatos ocorridos nos bastidores da nossa música.

Segue um breve trecho do livro :

Roberto Carlos é o mais popular cantor brasileiro de todos os tempos - e nenhuma celebridade deste país pode ser considerada mais conhecida ou mais adorada pelo público. Quando começou a fazer sucesso, o homem ainda não havia chegado à Lua, os Beatles ainda não haviam conquistado o mundo, a Guerra Fria ainda dividia o planeta, e o Brasil era apenas bicampeão mundial de futebol. Pois bem: o homem foi e voltou à Lua, os Beatles viraram lenda, a União Soviética acabou, o Brasil já conquistou o pentacampeonato e Roberto Carlos continua fazendo sucesso.
Agora, tem-se a impressão de que a carreira de Roberto Carlos foi um deslizar natural em direção ao sucesso. Um grande equívoco. Neste livro, vai-se descobrir que sua vida também está repleta de percalços, de perdas, algumas muito dolorosas.
Uma das explicações para o sucesso extraordinário que Roberto Carlos alcançou e alcança está numa declaração dele, logo depois de ser desclassificado no festival de San Remo de 1972: "Apesar de tudo não me senti vencido".
Sim, porque, de fato, ele jamais se sente vencido. E isso mesmo nos momentos mais dramáticos de sua vida. Mesmo quando a tragédia lhe causa uma dor sem limite.
Este livro é o resultado de uma história de vida com Roberto Carlos, mais de 15 anos de pesquisa e quase 200 entrevistas exclusivas. O autor, Paulo César de Araújo, além de pesquisador, é um apaixonado pelo cantor desde criança. Somente assim seria possível empreender o trabalho de levantar - em detalhes - toda a trajetória artística, a vida e a intimidade de Roberto Carlos. Nesse sentido, trata-se de uma obra de estatura inédita: nunca um ídolo nacional da dimensão de Roberto Carlos foi esmiuçado de modo tão meticuloso, e com tamanha obsessão de mostrá-lo ao público.
De fato, este livro persegue - e dá conta - do desafio de contar tudo sobre Roberto Carlos, desde o início em Cachoeiro, passando por cada episódio significativo de sua vida. E isso detendo-se em todas as canções de sucesso - canções que expressaram a rebeldia da juventude numa época e que a seguir acompanharam os amores de seu público, como um amigo de horas certas e incertas. Enfim, trata-se de um retrato completo desse ídolo que, como ninguém, pode com sinceridade cantar os versos "se chorei ou se sorri/ o importante é que emoções eu vivi".


Quem se interessar, entre em contato comigo através do e-mail tuelhofreire@bol.com.br, para receber a versão digital do livro.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Dose dupla

Hoje é o aniversário de dois artistas brasileiros : o saudoso mangueirense Jamelão, falecido em 2008, e a vivíssima Bebel Gilberto.

Jamelão fez história no samba, como principal intérprete da Mangueira no carnaval carioca. Bebel já nasceu com a música no sangue, por ser filha dos compositores João Gilberto e Miúcha. Deixo aqui uma amostra grátis destes dois astros.


domingo, 9 de maio de 2010

Zé Ramalho

Viajando estes últimos dias pelo sertão paraibano, em atividades relacionadas com o Censo Demográfico deste ano, acabei conhecendo a cidade de Brejo do Cruz, terra natal do cantor Zé Ramalho, o nosso Profeta do Apocalipse. Da pacata cidadezinha (pacata até demais) nada pude usufruir a não ser um lanche no posto de gasolina. Do seu filho mais ilustre, no entanto, existe uma obra que já faz parte da melhor entre as melhores expressões artísticas da nossa música. Uma boa noite com Avohai.

domingo, 25 de abril de 2010

Ella Fitzgerald


Ella Jane Fitzgerald (Newport News, 25 de abril de 1917 — Beverly Hills, 15 de junho de 1996) foi uma cantora americana de jazz.
Mestra nas improvisações, a tímida Ella Fitzgerald cantava como um músico. Sempre dividiu opiniões sobre ser ou não a maior cantora do Jazz, com a não menos brilhante Billie Holiday.
Seus vizinhos riam quando ela dizia que um dia iriam vê-la nas manchetes dos jornais, que ela tinha certeza de que seria famosa. Ella sempre gostou de de cantar, ainda mais de dançar. Aos 13 anos ensaiava os passos e pedia às garotas mais velhas para ensinarem novos passos dos salões de dança do Harlem.
Foi na igreja que ela aprendeu os primeiros rudimentos musicais, da mesma forma que outros grandes cantores e cantoras norte-americanos do séc. XX. O rádio e o fonógrafo também foram veículos fundamentais para que ela pudesse desenvolver sua formação musical. Ella fez parte da primeira geração de crianças que, na década de 20, tiveram acesso livre à música por meio desses aparelhos sonoros. Sua mãe faleceu quando ela tinha somente 14 anos. Ela então largou a escola e foi mais tarde para um reformatório por vadiagem. Ficou pouco tempo até que fugiu e foi viver nas ruas de Nova Iorque cantando e dançando para ganhar gorjetas.
Em novembro de 1934 participou de um show de calouros no Apollo Theatre, no Harlem, e apesar de maltrapilha e nervosa, ganhou o primeiro prêmio que era a permissão de se apresentar no teatro duas semanas, mas o gerente não aceitou por considerá-la muito feia. Cantava gratuitamente até que Chick Webb a levou para um teste com o bandleader, mas que não quis ouví-la por também considerá-la muito feia, mas por insistência de Webb acabou ouvindo e contratando-a.
Em 1938 gravou o primeiro sucesso com Webb, “A-Tisket a-Tasket”. Aos dezenove anos já era considerada a primeira dama do jazz. Foi contratada pelo produtor e dono de gravadoras (Verve/Pablo) Norman Granz, integrando o grupo Jazz At The Philharmonic.
Fitzgerald gravou três discos clássicos ao lado de Louis Armstrong (Ella and Louis, Ella and Louis Again e Porgy and Bess).

Fonte : Wikipedia


Ella Fitzgerald - Mack the Knife

sábado, 24 de abril de 2010

Overdose Beatle



Hoje eu acordei pra beber. Deixei a esposa no salão de beleza e voltei direto pra casa a fim de tomar umas bicadas ouvindo uma boa música. Uma garrafinha de cana, um pedaço de frango assado, só faltava mesmo escolher o repertório. Aí me veio na cabeça : The Beatles.
Há mais ou menos 6 meses estou tendo uma overdose da obra Beatle. Quanto mais escuto, mais eu quero ouvir. De Please Please Me a Let it Be, cada faixa, cada solo, cada fase desta que é considerada a maior banda de todos os tempos me deixa mais e mais encantado com esta forma de expressão artística que chamamos de música.
Quando eu nasci, em 1984, os Beatles já haviam se separado e John Lennon não mais estava entre os mortais. Agradeço ao meu pai por ter me apresentado a este som que influenciou, influencia e continuará sempre presente enquanto houver vida na Terra.
Mas eu vou deixar pra falar sobre isso em outra oportunidade. O que eu quero agora é apreciar aguardente ao som dos Fab Four. Até mais!!!!


Don't let me down



Let it be



Ticket to ride

Barbra Streisand - 68 anos


A cantora e compositora Barbara (Joan) Streisand completa hoje 68 anos de idade. A artista, que também é atriz, diretora e produtora cinematográfica é vencedora de 2 Oscar tendo sido indicada a mais três estatuetas.
Barbra Streisand iniciou sua carreira em 1965 com a peça da Broadway "I can get it for you wholesale". Seu primeiro disco, "The Barbra Streisand Album", foi lançado em 1963 e a premiou com dois Prêmios Grammy.


Barbra possui uma voz poderosa e imprime uma interpretação dramática às músicas que grava, especialmente nas baladas românticas. Ela já fez duetos com artistas como Neil Diamond ,Donna Summer, Frank Sinatra, Celine Dion, Bryan Adams e Barry Gibb. Já vendeu 71 milhões de álbuns, tornando-se a cantora que mais vendeu discos e cd's nos EUA.

Fonte : Wikipedia

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Ontem ao Luar


Nesta sexta-feira, depois de uma semana consideravelmente estressante, eu voltava para casa, por volta das 18:00hs. Ao trafegar pela Avenida Ministro José Américo de Almeida, nossa conhecida Beira-Rio, ouvi através das ondas da Cabo Branco FM a belíssima Ontem ao Luar, na incrível interpretação da não menos bela Marisa Monte. Já conhecia esta melodia no vozeirão do saudoso Vicente Celestino, mas a gravação de Marisa também fez muito bem aos meus tímpanos. E eu precisava relaxar mesmo, porque esta semana foi phoda. Vamos tomar uma e curtir.



Ontem ao Luar
(Catulo da Paixão Cearense e Pedro de Alcântara)


Ontem ao luar
Nós dois em plena solidão
Tu me perguntaste
O que era a dor de uma paixão
Nada respondi, calmo assim fiquei
Mas fitando o azul
Do azul do céu a lua azul
Eu te mostrei, mostrando a ti os olhos meus
Correr sem ti uma nívea lágrima e assim te respondi
Fiquei a sorrir por ter o prazer de ver a lágrima
Dos olhos a sofrer

A dor da paixão, não tem explicação
Como definir o que só sei sentir
É mister sofrer, para se saber
O que no peito o coração não quer dizer

Pergunta ao luar, travesso e tão taful
De noite a chorar na onda toda azul
Pergunta ao luar, do mar a canção
Qual o mistério que há na dor de uma paixão

Se tu desejas saber o que é o amor e sentir
O seu calor o amaríssimo travor do seu dulçor
Sobe o monte a beira mar ao luar
Ouve a onda sobre a areia lacrimar
Ouve o silêncio a falar na solidão do calado coração
A pena a derramar os prantos seus
Ouve o choro perenal
A dor silente universal
E a dor maior que é a dor de Deus

Se tu quiseres mais saber a fonte dos meus ais
Põe o ouvido aqui na rósea flor do coração
poste a inquietação da merencórea pulsação
Busca saber qual a razão
Por que ele vive assim tão triste a suspirar...a palpitar...desesperação
A teimar de amar um insensível coração
E a ninguém dirá
No peito ingrato em que ele está
Mas que o sepulcro fatalmente o levará

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Brasília - 50 anos



Brasília é a capital da República Federativa do Brasil e sua quarta maior cidade. Na última contagem realizada pelo IBGE em 2009, sua população foi estimada em 2.606.885 de habitantes. Brasília também possui o segundo maior PIB per capita do Brasil (40.696,00 reais) entre as capitais, superada apenas por Vitória (60.592,00 reais). Junto com Anápolis (139 km) e Goiânia (209 km), faz do eixo Goiânia-Anápolis-Brasília, a região mais desenvolvida do Centro-Oeste brasileiro.

Inaugurada em 21 de abril de 1960, pelo então presidente Juscelino Kubitschek de Oliveira, Brasília é a terceira capital do Brasil, após Salvador e Rio de Janeiro. A transferência dos principais órgãos da administração federal para a nova capital foi progressiva, com a mudança das sedes dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário federais.

O plano urbanístico da capital, conhecido como "Plano Piloto", foi elaborado pelo urbanista Lúcio Costa, que, aproveitando o relevo da região, o adequou ao projeto do lago Paranoá, concebido em 1893 pela Missão Cruls. O lago armazena 600 milhões de metros cúbicos de água. Muitas das construções da Capital Federal foram projetadas pelo renomado arquiteto Oscar Niemeyer.


História


José Bonifácio retratado por Benedito Calixto.Em 1761 o Marquês de Pombal, então primeiro-ministro de Portugal, propunha mudar a capital do império português para o interior do Brasil Colônia. O jornalista Hipólito José da Costa, fundador do Correio Braziliense, primeiro jornal brasileiro, editado em Londres, em 1813 redigiu artigos em defesa da interiorização da capital do país, para uma área "próxima às vertentes dos caudalosos rios que se dirigem para o norte, sul e nordeste". José Bonifácio, o Patriarca da Independência, foi a primeira pessoa a se referir à futura capital do Brasil, em 1823, como "Brasília".

Desde a primeira constituição republicana, de 1891, havia um dispositivo que previa a mudança da Capital Federal do Rio de Janeiro para o interior do país, determinando como "pertencente à União, no Planalto Central da República, uma zona de 14.400 quilômetros quadrados, que será oportunamente demarcada, para nela estabelecer-se a futura Capital Federal". Fato interessante dessa época foi o sonho "premonitório" tido pelo padre italiano São João Bosco, no qual disse ter visto uma terra de riquezas e prosperidade situada próxima a um lago e entre os paralelos 15 e 20 do Hemisfério Sul. Acredita-se que o sonho do padre seria a futura capital brasileira, pelo qual o padre, posteriormente canonizado, se tornou o padroeiro de Brasília.

No ano de 1891 foi nomeada a Comissão Exploradora do Planalto Central do Brasil, liderada pelo astrônomo Luís Cruls e integrada por médicos, geólogos e botânicos, que fizeram um levantamento sobre topografia, o clima, a geologia, a flora, a fauna e os recursos materiais da região do Planalto Central. A área ficou conhecida como Quadrilátero Cruls e foi apresentada em 1894 ao Governo Republicano. A comissão designava Brasília com o nome de "Vera Cruz".

Em 1922, no ano do Centenário da Independência do Brasil, o Deputado Americano do Brasil apresenta um projeto à Câmara incluindo entre as comemorações a serem celebradas o lançamento da Pedra Fundamental da futura Capital, no Planalto Central. O então Presidente da República, Epitácio Pessoa, baixa o decreto nº 4.494 de 18 de janeiro de 1922, determinando o assentamento da Pedra Fundamental e designa para a realização desta missão, o engenheiro Balduino Ernesto de Almeida, Diretor da estrada de ferro de Goiás com sede em Araguari, Minas Gerais. No dia 7 de setembro de 1922, com uma caravana composta de 40 pessoas é assentada a Pedra Fundamental no Morro do Centenário, na Serra da Independência, situada a nove quilômetros da cidade de Planaltina.


Esboço de Vera Cruz - Comissão de Localização da Nova Capital Federal.Em 1954 o Marechal José Pessoa Cavalcanti de Albuquerque foi convidado pelo presidente Café Filho para ocupar a presidência da Comissão de Localização da Nova Capital Federal, encarregada de examinar as condições gerais de instalação da cidade a ser construída. Em seguida, Café Filho homologou a escolha do sítio da nova capital e delimitou a área do futuro Distrito Federal, determinando que a comissão encaminhasse o estudo de todos. A Comissão de Planejamento e Localização da nova Capital, sob a Presidência de José Pessôa, a responsável pela exata escolha do local onde hoje se ergue Brasília.

A idealização do plano-piloto, também foi obra da mesma comissão que em robusto relatório, redigido pelo Marechal José Pessôa, de título "Nova Metrópole do Brasil", entregue ao Presidente Café Filho, detalhou os pormenores do arrojado planejamento que se realizou.

O Marechal José Pessôa não imaginou o nome da capital como Brasília, mas sim Vera Cruz, caracterizando o flamejante sentimento de um povo que nasceu sob o signo da Cruz de Cristo e estabelecendo ligação com o primeiro nome dado pelos descobridores portugueses. O plano elaborado respeitava uma determinada interpretação da História e não descaracterizava as tradições brasileiras. Grandes avenidas chamar-se-iam "Independência", "Bandeirantes" etc., diferentes, portanto, das atuais siglas alfas-numéricas de Brasília, como W-3, SQS, SCS, SMU e outros.


Busto de Juscelino Kubitschek na Praça dos Três Poderes.Por discordâncias com o Presidente Juscelino Kubitschek, o Marechal José Pessoa abandonou a presidência da Comissão, tendo sido sucedido pelo Coronel do Exército Ernesto Silva, que era o Secretário da Comissão. Ernesto Silva, que também era médico, foi nomeado na sequência presidente da Comissão de Planejamento da Construção e da Mudança da Capital Federal (1956) e Diretor da Companhia Urbanizadora da Nova Capital - NOVACAP (1956/1961), tendo Ernesto Silva assinado o Edital do Concurso do Plano Piloto, em 1956, publicado no Diário Oficial da União no dia 30 de setembro de 1956.

Apenas no ano de 1955, durante um comício na cidade goiana de Jataí, o então candidato à presidência, Juscelino Kubitschek, foi questionado por um eleitor se respeitaria a Constituição, interiorizando a Capital Federal, ao que JK afirmou que iria transferir a capital. Eleito presidente, Juscelino estabeleceu a construção de Brasília como "meta síntese" de seu "Plano de Metas".

O traçado de ruas de Brasília obedece ao plano piloto implantado pela empresa Novacap a partir de um anteprojeto do arquiteto Lucio Costa, escolhido através de concurso público nacional. O arquiteto Oscar Niemeyer projetou os principais prédios públicos da cidade. Para fazer a transferência simbólica da capital do Rio para Brasília, Juscelino fechou solenemente os portões do Palácio do Catete, então transformado em Museu da República, às 9 da manhã do dia 21 de abril de 1960, ao que a multidão reagiu com aplausos. A cidade de Brasília foi fundada no mesmo dia e mês em que se lembra a execução de Joaquim José da Silva Xavier, líder da Inconfidência Mineira, e a fundação de Roma.


Oscar Niemeyer na época da construção de Brasília.O princípio básico das estratégias políticas de Juscelino Kubitschek, segundo o próprio, era apropriado do moralista francês Joubert, para quem "não devemos cortar o nó que podemos desatar". Com base nessa máxima, Kubitschek viabilizou a construção de Brasília, oferecendo várias benesses à oposição, criando fatos consumados e queimando etapas. Apesar de a cidade ter sido construída em tempo recorde, a transferência efetiva da infra-estrutura governamental só ocorreu durante os governos militares, já na década de 1970. Todavia, ainda no início do Século XXI, muitos órgãos do governo federal brasileiro continuam sediados na cidade do Rio de Janeiro.

Um fato que mostra o impacto provocado pelo modernismo da cidade recém construída foi a frase dita pelo cosmonauta Yuri Gagarin, primeiro homem a viajar para o espaço, que ao visitar Brasília em 1961, disse: "Tenho a impressão de que estou desembarcando num planeta diferente, não na Terra".

Alguns dos fatores que mais influenciaram a transferência da capital foram a segurança nacional, pois acreditava-se que com a capital no litoral ela estava vulnerável a ataques estrangeiros (argumento militar-estratégico que teve como precursor Hipólito José da Costa), e uma interiorização do povoamento e do desenvolvimento e integração nacional, já que devido a fatores econômicos e históricos a população brasileira concentrou-se na faixa litorânea, ficando o interior do país pouco povoado. Assim a transferência da capital para o interior forçaria o deslocamento de um contingente populacional e a abertura de rodovias, ligando a capital às diversas regiões do país, o que levaria a uma maior integração econômica.

Planejada para ter uma população de 600 mil habitantes no ano 2000, a população do Distrito Federal já atingia os 2,6 milhões de habitantes em 2009. Brasília, considerando-se todo o Distrito Federal, atualmente é a quarta capital mais populosa do Brasil.

Fonte : Wikipedia

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Dia do Índio

O Dia do Índio, 19 de abril, foi criado pelo presidente Getúlio Vargas através do decreto-lei 5540 de 1943, e relembra o dia, em 1940, no qual várias lideranças indígenas do continente resolveram participar do Primeiro Congresso Indigenista Interamericano, realizado no México. Eles haviam boicotado os dias iniciais do evento, temendo que suas reivindicações não fossem ouvidas pelos "homens brancos". Durante este congresso foi criado o Instituto Indigenista Interamericano, também sediado no México, que tem como função zelar pelos direitos dos indígenas na América. O Brasil não aderiu imediatamente ao instituto, mas após a intervenção do Marechal Rondon apresentou sua adesão e instituiu o Dia do Índio no dia 19 de abril.

Fonte : Wikipedia

De quebra, deixo com vocês a música Um Índio, na voz de Caetano Veloso.

Um índio - Caetano Veloso

Um índio descerá de uma estrela colorida e brilhante
De uma estrela que virá numa velocidade estonteante

E pousará no coração do hemisfério sul, na América, num claro instante

Depois de exterminada a última nação indígena
E o espírito dos pássaros das fontes de água límpida
Mais avançado que a mais avançada das mais avançadas das tecnologias

Virá, impávido que nem Muhammed Ali, virá que eu vi
Apaixonadamente como Peri, virá que eu vi
Tranqüilo e infalível como Bruce Lee, virá que eu vi
O axé do afoxé, filhos de Ghandi, virá

Um índio preservado em pleno corpo físico
Em todo sólido, todo gás e todo líquido
Em átomos, palavras, alma, cor, em gesto e cheiro
Em sombra, em luz, em som magnífico

Num ponto equidistante entre o Atlântico e o Pacífico
Do objeto, sim, resplandecente descerá o índio
E as coisas que eu sei que ele dirá, fará, não sei dizer
Assim, de um modo explícito

Virá, impávido que nem Muhammed Ali, virá que eu vi
Apaixonadamente como Peri, virá que eu vi
Tranqüilo e infalível como Bruce Lee, virá que eu vi
O axé do afoxé, filhos de Ghandi, virá

E aquilo que nesse momento se revelará aos povos
Surpreenderá a todos, não por ser exótico
Mas pelo fato de poder ter sempre estado oculto
Quando terá sido o óbvio

Aniversário do Rei



Um aniversário triste para o rei. Nessa segunda-feira, 19 de abril, quando completa 69 anos, o cantor Roberto Carlos vai participar do enterro de sua mãe, Laura Moreira Braga. Ele saiu dos Estados Unidos na manhã de ontem em um voo fretado e chegou ao Rio de Janeiro no início da noite.

Lady Laura, como foi homenageada em uma das letras do rei, morreu aos 96 anos vítima de uma infecção pulmonar. Ela estava internada no Hospital Copa Dor desde o dia 31 de março.



O corpo da mãe do cantor foi enterrado às 9h desta segunda-feira (19), no cemitério Jardim da Saudade, em Sulacap, zona oeste do Rio. Foi usado um caixão branco.

No momento da morte, nesse sábado (18), o cantor estava em turnê em Nova York. Durante o show, mesmo sem saber de sua morte, ele chegou a interpretar a música Lady Laura, composta em homenagem à mãe.

O empresário do cantor soube da notícia por telefone, mas esperou até o momento em que Roberto Carlos jogou rosas ao público e se retirou do palco. Depois de receber a notícia, o artista não voltou mais para o bis. O público foi então informado da morte de Lady Laura.

Fonte : Blog www.robertocarlosbraga.com.br

domingo, 18 de abril de 2010

Adeus, Lady Laura

Morreu neste sábado (17) a mãe do cantor Roberto Carlos, Laura Moreira Braga, 96 anos, conhecida como Lady Laura, no Hospital Copa D’ Or, em Copacabana, na Zona Sul do Rio, vítima de infecção pulmonar. O cantor, que completa 69 anos na segunda-feira (19), estava em uma turnê pelos Estados Unidos, e só ficou sabendo do ocorrido no final de um show, através do seu maestro e amigo Eduardo Lages.
Segundo a assessoria de imprensa do hospital, ela morreu às 18h20. No atestado de óbito constam como causas: choque séptico e insuficiência respiratória aguda, decorrentes de pneumonia bacteriana e agravados por insuficiência renal crônica, insuficiência coronariana e arritmia cardíaca.
A mãe do cantor ficou conhecida nacionalmente pela música "Lady Laura", parceria do filho com Erasmo Carlos. Ela foi internada no dia 31 de março e levada para o Centro de Terapia Intensiva (CTI) em estado grave, com quadro de infecção pulmonar.

Lady Laura chegou ao Copa D’Or na companhia de Roberto após sofrer broncoaspiração, seguida de insuficiência respiratória e pneumonia.

De acordo com a divulgação do primeiro boletim médico, ela respirava por aparelhos e fazia tratamento com antibióticos, sob os cuidados do diretor médico Antônio Carlos Moraes e do assistente Milton Kazuo Yoshino.

Para ficar ao lado da mãe, Roberto Carlos chegou a adiar sua viagem para uma turnê de shows ao exterior e de ir a ensaios em seu estúdio.



Foi Lady Laura, que era devota de Nossa Senhora, Cosme e Damião e São Judas Tadeu, quem passou a forte religiosidade para o cantor. Ela era uma das pessoas que mais incentivaram a carreira artística de Roberto Carlos.

Nascida na mineira Mimoso, Lady Laura saiu de sua cidade natal para morar em Cachoeiro do Itapemirim, Espírito Santo, com o marido, Robertino. Ela havia aprendido a tocar violão ainda na adolescência e passou o amor à música para os filhos, entre eles o caçula, Roberto.

Em 1978, o cantor escreveu com seu parceiro, Erasmo Carlos, a música "Lady Laura", na qual declarava ao mundo todo o amor que tinha pela mãe. A canção, célebre até hoje, foi adotada pelos brasileiros e virou estandarte do sentimento de amor materno.

No início da letra, Roberto canta "Tenho às vezes vontade de ser novamente um menino, e na hora do meu desespero gritar por você", para depois chegar no refrão: "Lady Laura, me leve pra casa, me conta uma história, me faça dormir, Lady Laura".

Sem gostar de dar entrevistas, já que seu filho "era o famoso", Laura disse no passado ter tido uma "alegria imensa" ao escutar a música pela primeira vez. Homenagem, aliás, que também se estendeu para "Aquela Casa Simples", em que Roberto lembra onde morou na infância e dedicou à mãe, ano passado, no show que fez em Cachoeiro do Itapemirim, quando iniciou as comemorações de seus 50 anos de carreira.

Roberto ainda batizou os quatro barcos que teve até hoje – "Dona Laura" e "Lady Laura" I, II e III – em lembrança da mãe. Era assim também que amigos e parentes a chamavam carinhosamente.

(Globo / Último Segundo)

sábado, 17 de abril de 2010

Like a Rolling Stone



Assistindo o Jornal da Globo ontem à noite, deparei-me com uma reportagem sobre o cantor Bob Dylan e uma de suas obras-primas, a composição Like a Rolling Stone. O cantor, nascido em 24 de maio de 1941 como Robert Allen Zimmerman, lançou seu primeiro disco em 1962, mas consagrou-se a partir do segundo álbum, com o sucesso Blowin' in the wind que se tornou um hino do movimento dos direitos civis. Lançou outras canções consideradas como "de protesto" como Masters of War, embora o artista sempre tenha negado a alcunha de cantor de protesto.

Dylan é tido como o responsável por ter ensinado os Beatles a fumar maconha. E assim nasceram os álbuns Revolver, Rubber Soul, Sgt. Peppers Lonely Hearts Club Band e tudo que os Fab Four fizeram de melhor. Posteriormente, converteu-se e passou a cantar músicas de cunho religioso, mas voltou ao estilo folk e também country. Além disto, meteu-se ainda a pintor e escritor. Foi e é referência para uma grande geração de artistas (Zé Ramalho, que já confessou ter influências da música dyloniana em seu repertório , gravou em 2008 um DVD só com versões de suas músicas). Enfim, Dylan é uma lenda viva da música mundial.

Dica de lazer



Você :

- curte Roberto Carlos?
- gosta de frequentar ambientes familiares?
- quer passar uma noite agradável com a pessoa amada?
- está com dor de cotovelo?
- quer se embriagar?

Caso a resposta para alguma(s) destas alternativas seja "SIM", você não pode morrer sem conhecer o Cantinho do Rei, bar localizado na principal do Castelo Branco, ao lado do Mercado Público, aqui em João Pessoa.

Local sossegado, aconchegante, ideal pra quem quer tomar uns drinks ou namorar ao som do Rei. Aos domingos temos ainda o Especial Jovem Guarda, com músicas exclusivas dos anos 60, tudo isso sob a batuta do nosso amigo Carlos e seus funcionários, proporcionando o melhor atendimento pra você.

Visitem o Cantinho do Rei, sua opção de lazer na capital paraibana.

Obs.: Antes que alguém converse besteira, vou logo dizendo : NÃO, eu repito, NÃO estou recebendo nenhum benefício particular para fazer propagando do Cantinho do Rei. Se eu estou fazendo esta divulgação, é porque conheço o ambiente (não é de hoje que eu costumo sair tropeçando nas próprias pernas quando saio de lá). Um grande abraço a Carlos, e viva Roberto!!!